Coluna MTV: Estrela Negra

14 janeiro 2016
A grande maioria dos meus amigos descobriu o rock pelos Beatles. As razões para isso são diversas: os pais ouviam, um primo era beatlemaníaco, uma coleção de discos abandonada em algum canto empoeirado da casa. Você escolhe.

Eu não. Meus pais nunca foram ligados ao rock. Nesse sentido, eu não tinha motivação alguma para desbravar a obra de tantos e tantos artistas que, na época, sequer conhecia ou tinha alguma noção da importância.

No entanto, de moda eu sempre gostei. Desde criancinha encantado com a imagem de grandes estilistas, de roupas que fugissem da mesmice dos meus dias no interior do estado de São Paulo. Que me fizesse esquecer do uniforme da escola e dos tantos outros uniformes usados em Itapetininga, cidade na qual nasci.



Eis que comecei a andar com uns meninos, os mais estranhos da sala. Eles sentavam lá no fundo e sempre conversavam sobre música. Cada um gostava de uma coisa diferente. Um era metaleiro, o outro só curtia indie, outro era viciado nos tropicalistas e na psicodelia brasileira… O que acontece é que eles sempre me disseram: você vai gostar do Bowie.

Eu já sabia que ia gostar do Bowie mesmo antes deles falarem qualquer coisa. Era óbvio, depois que escutei o famoso The Rise and Fall of Ziggy Stardust, constatei: eles estavam certíssimos. Bowie reuniu na sua carreira as minhas duas maiores paixões. Juntou moda à música como ninguém. Naquele primeiro contato, me surpreendi com a força de suas letras, com a sua visão única sobre o que é o espaço sideral, o desconhecido. Desde então, o tal extraterrestre começou a fazer parte da minha vida.



Além dele, depois disso, teve um dia que eu decidi ouvir todos os discos de uma vez só. Claro que não consegui, haja visto a enorme discografia do artista. Foram necessários dois dias de um final de semana em que, mesmo parado na sala de casa com o fone no ouvido, eu viajei por outros mundos, outros lugares, outras épocas. E nisso, Bowie foi se tornando novas personas, criando novas imagens e se transformando, incansável. Camaleão.

Parecidíssimo com o mundo da moda, não? Supostamente, cada temporada tem o intuito de ser uma experiência de renovação. Um renascimento. Se vestir-se é construir pelo menos uma capa para o eu, trocar essa capa é respirar novos ares, é mudar de atitude, é querer explorar o mundo como se ele não tivesse limites, viver 50 vidas em uma só.



Bowie viveu, assim como a moda que, mesmo manca, respirando por aparelhos, continua nesse ciclo que – como vimos na triste segunda-feira desta semana – pode um dia acabar.

O encanto da passarela a cada cinco meses era um refúgio para mim (hoje é meu trabalho, motor da minha vida – a relação é outra, a proximidade a mesma). Bowie era o mesmo. A válvula de escape. Absolutamente fora do comum, servia como um prato cheio de inspiração, de antídoto contra a monotonia dos meus dias. Cabelos vermelhos, rosto brilhante, roupas coladas, estampas coloridas, vida e coragem em cada decisão.

Que esse espírito continue vivendo na gente, que a moda nunca se esqueça da importância e da riqueza que há em Bowie. Vida eterna ao alienígena apocalíptico, ao soul fake setentista, ao homem que vendeu o mundo, ao Major Tom, ao herói por um dia só, ao som, à visão. Enfim, adeus estrela negra. Não dá para mensurar o tamanho da saudade.

Pedro João de Camargo, 21 anos profundamente superficiais e cronicamente insatisfeitos

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