Papo MTV: BNegão

4 abril 2014
Quem vê BNegão no palco, presencia um gigante, com timbre poderoso e atitude hipnotizante. Fora dele, é Bernardo Santos quem assume o comando, um carioca de riso fácil e caráter sossegado. A mensagem, contudo, é a mesma – e transmitida com a mesma força - onde quer que ele esteja. Os movimentos sociais, as políticas públicas e a legalização da maconha movem o trabalho de BNegão desde o começo de sua trajetória, ao lado dos Funk Fuckers, reunindo forças com o Planet Hemp, e, mais tarde, evoluindo com os Seletores de Frequência. A conduta de Bernardo é a de combate – às estruturas, ao lugar-comum, ao pensamento raso. O recado é claro: reação!

Sintoniza Lá

O segundo álbum de BNegão & Seletores da Frequência viria depois de 9 anos do lançamento de Enxugando o Gelo (2003). Isso porque a banda passava por um ano de muitos shows, viagens e compromissos. "As músicas eram produzidas em partes. A gente gravava um pouco em uma semana, e só oito meses depois gravava a sequência. Mas, juntando todo o tempo em que a gente ficou no estúdio dá, no máximo, três ou quatro meses". O resultado desse intervalo foi o amadurecimento nítido do grupo, que produziu um dos álbuns mais icônicos dos últimos anos.

Direito autoral

BNegão & Seletores de Frequência foram os primeiros a disponibilizar um disco comercial para download na internet. Antes disso, alguns artistas colocavam na rede apenas músicas que não chegavam às lojas. "Na época, diziam que a gente era maluco, mas, hoje em dia, todo mundo faz isso". Para o músico, a prioridade é que o maior número possível de pessoas tenham acesso a seu trabalho: "Eu circulo no meio artístico, mas não me considero artista. Meu objetivo é falar sobre as coisas que acho importante e dividir isso com as outras pessoas." Restringir sua música somente a quem possa comprá-la não é, definitivamente, o objetivo de BNegão.



Santa Teresa

Bairro carioca conhecido pelo forte ativismo político, Santa Teresa é influência clara em toda a trajetória de Bernardo. "Eu nasci nisso, então tenho um lado ativista forte, que é o que me faz colocar o disco para download gratuito, por exemplo. Minha ligação com o punk rock, com o rap, começou por lá também, com Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, e mais tarde, com Cultura de Rua e os Racionais. É tudo isso, junto."

Planet Hemp

Se a reunião do Planet Hemp – que chegou ao fim em 2001 – demorou doze anos para acontecer, BNegão pode assinar seu atestado de culpa. "Eu gosto muito do presente, não sou saudosista, nem futurólogo. Essa coisa de parar no tempo me incomoda, e isso também me deixou refratário por muito tempo. Sempre que eu alguém me perguntava 'Quando vai ter show do Planet Hemp?', eu respondia 'Nunca mais' (risos). Eu sei que o Planet é uma parada meio religião, então não queria reativar isso”. O retorno aconteceria graças à MTV, que organizava um show em comemoração aos 20 anos da emissora, mas BNegão recusou. Foi só depois de muita insistência que ele aceitou fazer uma única música. Uma que virou três, cinco, sete... E um show completo. A apresentação só aconteceu porque BNegão e Marcelo D2, que já não se falavam há anos, voltaram às boas. "Dois anos antes, tinha encontrado com o Marcelo num show em que ele ia tocar também, e colocaram a gente no mesmo andar do hotel. A gente se encontrou no corredor e falou 'Foda-se, vamos acabar com essa porra!' (risos)". Ele completa: "Foi divertido, e ninguém foi preso, então deu tudo certo".



Legalização da maconha

Quando perguntamos se ele acha que o Brasil está hoje mais próximo de legalizar a maconha, BNegão não se mostra muito otimista. "Nós não somos um país pequeno em quantidade de gente como o Uruguai. Se fosse, seria mais fácil. O Brasil é continental, então são milhares de fusos, de culturas diferentes, modos de pensar diferentes. Além disso, o Brasil tem as piores políticas possíveis. Tudo é baseado em como fazer pra conseguir voto, não numa parada feita para a população; mais de se manter no poder do que de mudança. E pra fazer mudança, o cara tem que ter peito." Mas a pressão, segundo o músico, não deve ceder. "O Brasil é um país historicamente subserviente, mesmo com um governo pseudo de esquerda no poder, é subserviente aos EUA. E as próprias pessoas são assim, o que é um erro, na minha opinião. Cada país tem que seguir o seu caminho. Só que se os EUA legalizarem, abriria mais caminho para as pessoas daqui pensarem sobre isso. Acho o fim, mas isso funciona. Tanto que a própria proibição mundial foi prostrada pelos EUA, o que é ridículo. Todo mundo abaixou a cabeça sem falar por que. Esse pensamento maria-vai-com-as-outras sempre me incomodou, desde o micro até o macro universo."



Nova cena brasileira

Para Bernardo, o Brasil se encontra em um dos melhores momentos musicais. Ele cita os gaúchos do Apanhador Só; o recifense Pousada; Sacal, de João Pessoa, e o músico Curumin. "Tem muita coisa boa rolando, as pessoas só precisam procurar. Parar de ser maria-vai-com-as-outras (risos) e ir atrás. Não aguento quem fala que a música atual tá uma merda, mas só ouve rádio FM. Tá uma merda porque você não tá nem procurando, fica passivo. Curiosidade é muito importante, senão você não sai do lugar."

Próximos passos

"Acabei de gravar com o Skank para o disco novo deles. São caras que eu gosto muito, companheiros de geração e muito maneiros. Também vamos relançar Enxugando o Gelo, que tá esgotado e muita gente pede; vamos lançar um disco de música instrumental dos Seletores, vamos lançar um disco de remix do Sintoniza Lá, vamos lançar vários compactos. Enfim, vai ter coisa pra caramba. Esse ano, a gente vai se dedicar bastante aos clipes também, lançar uns seis ou sete". BNegão vai trabalhar o último disco, de 2012, como se tivesse sido lançado neste ano, já que, na época, não teve tempo de se dedicar propriamente à divulgação do registro. "Como o nosso tempo é diferente, na hora de produzir, é importante que o disco seja o mais imperecível possível. Por não ser uma descartável, a gente consegue trabalhar um disco de dois anos atrás como se fosse desse ano e fazer funcionar."

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